Oficina PAIF sobre sobrecarga de cuidados: o cotidiano em discussão

Uma proposta de linha do cotidiano para discutir tarefas de cuidado, possibilidades de apoio e condições que dependem de serviços públicos.

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Demanda e objetivo

Proposta para quando a concentração de tarefas de cuidado e as dificuldades de acesso a apoios aparecem na escuta das famílias. A equipe deve conferir se o grupo deseja conversar sobre essa questão e em que termos. O roteiro não presume um único arranjo familiar nem atribui o cuidado a mulheres por definição.

Objetivo da oficina

Favorecer a reflexão sobre tarefas visíveis e pouco reconhecidas do cotidiano, sua distribuição e as condições de apoio necessárias, distinguindo combinações possíveis na família de demandas por ofertas públicas.

Aquisição esperada

Como referência de aprendizagem, espera-se que os participantes que desejarem se expressar consigam reconhecer uma tarefa pouco visível e formular uma pergunta sobre sua distribuição ou sobre um apoio público necessário. Essa expectativa não equivale a reduzir a sobrecarga em um encontro nem a avaliar a qualidade do cuidado prestado pela família.

Participação e acompanhamento

Famílias convidadas pela equipe do PAIF conforme demanda identificada, inclusive pessoas que realizam ou compartilham cuidados. A condução cabe aos profissionais da equipe de referência do CRAS ou da equipe volante, conforme as Orientações Técnicas do PAIF. O roteiro propõe cerca de 85 minutos, ajustáveis, com pausas possíveis. Conferir horários, acessibilidade e condições de participação antes do convite. As pessoas podem trabalhar apenas com o cotidiano fictício, sem expor relações familiares.

A oficina pode oferecer elementos para retomar um objetivo do plano relacionado a apoios e condições de participação. Propõe-se conversar posteriormente com a família sobre o que fez sentido e sobre ofertas a verificar. A equipe não deve registrar um compromisso de redistribuição que não tenha sido discutido e desejado pela família.

Materiais e preparação

Materiais necessários

  • Uma faixa de papel ou quadro dividida em manhã, tarde e noite.
  • Cartões de tarefas: preparar alimentação, acompanhar deslocamento, organizar documentos, ajudar em rotina e buscar informações de serviço.
  • Cartões em branco para tarefas que o grupo considerar ausentes.
  • Marcadores com as categorias: possibilidade de combinação, informação a verificar e demanda de oferta pública.
  • Ficha de saída com três campos: tarefa antes pouco visível, pergunta sobre apoio e dúvida restante.

Antes do encontro

  • Conferir a demanda e escolher um cotidiano fictício sem diagnóstico, nome ou composição familiar que exponha participantes.
  • Preparar formas de participação oral e materiais que possam ser vistos, ouvidos ou manipulados.
  • Levantar ofertas territoriais pertinentes sem presumir vaga, transporte ou disponibilidade.
  • Organizar o espaço e pausas considerando as condições de quem cuida e de quem necessita de apoio.
  • Definir como acolher pedidos de conversa particular e como serão discutidas questões coletivas após o encontro.

Metodologia

Montagem de uma linha do cotidiano fictício, seguida de análise das tarefas e das condições para realizá-las. A atividade usa cartões para tornar visível o tempo de organização e deslocamento, além da tarefa imediata. O grupo ensaia possibilidades, identifica limites e formula perguntas à equipe. A finalidade é refletir sobre condições sociais de cuidado, sem prescrever uma divisão única nem conduzir terapia familiar.

Sequência de atividades

Tempos, tamanho do grupo e formato são sugestões pedagógicas adaptáveis. Considere as condições de participação e a realidade do território.

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Etapas sugeridas para a oficina
EtapaFinalidadeOrientação ao facilitadorMaterialDuração sugerida
Apresentação do cotidiano fictícioIntroduzir o tema sem exigir relato pessoal.Leia a situação de uma pessoa que combina várias tarefas ao longo do dia. Explique que o grupo analisará o caso e poderá apenas observar. Combine respeito a diferentes arranjos e evite perguntas sobre quem ‘faz certo’ ou ‘faz errado’.Faixa do cotidiano e narrativa fictícia.10 minutos, adaptáveis.
Distribuição dos cartões de tarefasIdentificar tarefas e tempos que podem passar despercebidos.Convide o grupo a posicionar tarefas na faixa do dia. Pergunte o que acontece antes e depois de cada ação, como planejar, buscar informação ou deslocar-se. Aceite cartões que fiquem fora da faixa quando não houver tempo suficiente no caso.Cartões de tarefas e cartões em branco.20 minutos, adaptáveis.
Análise das condições de cuidadoRefletir sobre concentração de tarefas e necessidades de apoio.Pergunte quais tarefas poderiam ser compartilhadas, quais requerem concordância ou preparação e quais dependem de oferta pública. Evite sugerir que qualquer integrante possa assumir qualquer atividade. Marque limites e informações ainda não verificadas.Marcadores de combinação, verificação e oferta pública.25 minutos, adaptáveis, com pausa se necessária.
Ensaio de uma pergunta ou possibilidadeTransformar a reflexão em questão concreta para continuar o trabalho.Em duplas ou pequenos grupos, peça a formulação de uma pergunta útil: quem precisaria participar da conversa? Qual oferta a equipe deve verificar? Não exija um compromisso pessoal nem uma solução completa para o caso.Cartões em branco ou registro oral.20 minutos, adaptáveis.
Devolutiva e ficha de saídaVerificar o que foi compreendido e o que precisa ser retomado.Reúna tarefas reconhecidas, perguntas e dúvidas. Informe quais consultas cabem à equipe e como o grupo receberá retorno. Ofereça alternativa oral à ficha e aceite não participação.Ficha de saída com três campos.10 minutos, adaptáveis.

Perguntas orientadoras

  • Que trabalho ocorre antes ou depois desta tarefa e costuma ficar pouco visível?
  • Há tempo e condição para tudo o que foi colocado nesta rotina fictícia?
  • Que combinação exigiria conversar com outras pessoas, sem presumir sua disponibilidade?
  • Que necessidade depende de serviço ou apoio público?
  • Que informação a equipe precisa verificar antes de sugerir um caminho?
  • Qual pergunta do grupo merece ser retomada em outra conversa?

Adaptações possíveis

  • Usar objetos ou leitura de cartões quando a escrita ou a visualização da faixa representar barreira.
  • Dividir o encontro em dois momentos quando o horário ou as tarefas de cuidado dificultarem permanência prolongada.
  • Acrescentar cartões de deslocamento, espera e organização quando essas tarefas forem relevantes no território.
  • Manter a discussão no caso fictício quando houver desconforto com experiências pessoais.
  • Se uma oferta local for desconhecida, marcar a questão para verificação em vez de preencher a lacuna com uma indicação presumida.

Avaliação

  • Ler, com autorização dos participantes, exemplos de tarefas pouco visíveis e observar se foram compreendidas como parte do cotidiano.
  • Examinar se as perguntas formuladas distinguem uma combinação familiar de uma oferta pública a verificar.
  • Reunir dúvidas restantes para orientar a devolutiva e o próximo planejamento, sem usar a ficha como diagnóstico de sobrecarga ou prova de mudança familiar.

Registro da atividade

  • Registrar a demanda de planejamento, a dinâmica, suas adaptações e as questões coletivas levantadas.
  • Anotar consultas e devolutivas assumidas pela equipe, distinguindo possibilidade de apoio de oferta confirmada.
  • Registrar no instrumento adequado a necessidade de mediação individual, sem transcrever relatos íntimos no registro coletivo.
  • Descrever a aquisição como percepção ou produção observada no encontro, sem afirmar redução de sobrecarga não demonstrada.

Cuidados

Referências

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