Oficina PAIF sobre rede de apoio familiar: mapa de possibilidades
Uma proposta de mapa coletivo para reconhecer apoios desejados, seus limites e demandas de proteção pública no território.
Demanda e objetivo
Proposta para situações em que as famílias desejam conversar sobre a quem recorrer e encontram apoios pouco conhecidos, descontínuos ou que não correspondem à sua necessidade. Antes de adotar o tema, a equipe deverá confirmar se essa questão apareceu na escuta e no planejamento local. A oficina não pressupõe que todas as famílias possuam uma rede disponível.
Objetivo da oficina
Criar um espaço de reflexão para distinguir apoios que as famílias desejam mobilizar, apoios cuja disponibilidade precisa ser verificada e necessidades que pedem resposta de serviços públicos.
Aquisição esperada
Como referência pedagógica, espera-se que quem desejar participar possa reconhecer ao menos uma possibilidade de apoio ou uma lacuna relevante e formular uma pergunta que ajude a discutir o próximo passo. Esse é um critério proposto de compreensão, sem promessa de ampliação efetiva da rede após um encontro.
Participação e acompanhamento
Famílias convidadas para uma oficina do PAIF conforme demanda reconhecida pela equipe. A condução cabe aos profissionais da equipe de referência do CRAS ou da equipe volante, conforme as Orientações Técnicas do PAIF. O formato proposto é um encontro de aproximadamente 75 minutos, com possibilidade de continuidade. Quantidade e composição serão definidas localmente, considerando condições de escuta, acessibilidade, deslocamento e cuidado. A participação pode ocorrer por fala, desenho ou observação, sem exigir nomes de pessoas ou relatos íntimos.
No planejamento, a equipe pode identificar se reconhecer apoios tem relação com um objetivo já discutido no plano. Depois da oficina, propõe-se uma mediação para conversar sobre possibilidades que a família deseja explorar. O mapa coletivo não substitui o plano nem autoriza contatar terceiros citados pelos participantes.
Materiais e preparação
Materiais necessários
- Papel grande ou quadro, com três áreas: apoios próximos, espaços comunitários e serviços públicos.
- Cartões de cores diferentes ou figuras acessíveis, canetas e adesivos.
- Cartões com situações fictícias, sem nomes, endereços ou dados de famílias atendidas.
- Lista interna de ofertas territoriais que a equipe tenha conferido, para esclarecer dúvidas sem prometer disponibilidade.
- Cartão de avaliação com as opções: possibilidade reconhecida, dúvida e necessidade de apoio da equipe.
Antes do encontro
- Confirmar a demanda que motivou o encontro e definir qual pergunta será trabalhada.
- Verificar se o espaço permite rodas ou pequenos grupos e preparar alternativa oral ou tátil ao mapa.
- Selecionar uma situação fictícia simples, como precisar ir a um serviço em horário que coincide com uma tarefa de cuidado.
- Conferir informações dos serviços que poderão aparecer e separar o que ainda requer consulta.
- Planejar acolhimento particular para demandas que não caibam na discussão coletiva e a forma de explicar esse retorno.
Metodologia
Construção de um mapa coletivo de possibilidades a partir de uma situação fictícia. O grupo classifica apoios por função e discute disponibilidade, limites e escolha. O facilitador ajuda a transformar sugestões automáticas em perguntas verificáveis, como ‘esse apoio existe?’, ‘a família deseja acioná-lo?’ e ‘qual resposta cabe ao serviço público?’. O desenho final pode conter lacunas; não é necessário completar todos os espaços.
Sequência de atividades
Tempos, tamanho do grupo e formato são sugestões pedagógicas adaptáveis. Considere as condições de participação e a realidade do território.
Deslize a tabela para consultar as outras colunas. Pelo teclado, use as setas após focar a tabela.
| Etapa | Finalidade | Orientação ao facilitador | Material | Duração sugerida |
|---|---|---|---|---|
| Acolhida e combinados | Explicar a proposta e oferecer formas de participação. | Apresente o tema e combine respeito às escolhas e ao cuidado com relatos. Diga que cada pessoa pode trabalhar somente com o caso fictício ou permanecer em observação. Evite prometer sigilo absoluto entre participantes. | Quadro com a pergunta central. | 10 minutos, ajustáveis ao grupo. |
| Leitura de uma situação fictícia | Identificar qual apoio seria necessário sem expor uma família real. | Leia o caso em linguagem acessível. Pergunte qual é a necessidade concreta e se o grupo entendeu a situação. Não use o caso para julgar escolhas individuais. | Cartão de situação fictícia e figuras opcionais. | 10 minutos, ajustáveis ao grupo. |
| Construção do mapa de possibilidades | Distinguir tipos de apoio e lacunas. | Convide pequenos grupos a sugerir possibilidades nas três áreas. Registre funções, como informação, companhia ou acesso a um serviço, sem solicitar nomes ou contatos pessoais. Marque como ‘a verificar’ o que não estiver confirmado. | Papel grande, cartões e canetas. | 25 minutos, ajustáveis ao grupo. |
| Discussão de limites e escolhas | Examinar se as possibilidades são desejadas e viáveis. | Escolha duas sugestões do mapa e pergunte o que precisaria ser confirmado. Discuta ausências de oferta e responsabilidades públicas. Preserve o direito de não acionar um apoio sugerido. | Mapa construído e marcador de lacunas. | 20 minutos, ajustáveis ao grupo. |
| Avaliação e próximos passos | Identificar compreensões e dúvidas que exigem retorno. | Ofereça avaliação oral, escrita ou por figuras. Reúna uma possibilidade reconhecida, uma dúvida e uma demanda de retorno. Explique o que a equipe poderá verificar, por qual canal e em que oportunidade dará devolutiva. | Cartões de avaliação ou registro oral pelo facilitador. | 10 minutos, ajustáveis ao grupo. |
Perguntas orientadoras
- Que necessidade aparece nesta situação fictícia?
- Que apoio poderia ajudar e para qual tarefa?
- O que sabemos sobre sua disponibilidade e o que precisa ser verificado?
- A família deseja esse apoio ou prefere procurar outra possibilidade?
- Que lacuna depende de uma oferta ou resposta pública?
- Qual pergunta seria útil levar à próxima conversa com a equipe?
Adaptações possíveis
- Para participantes que preferem não escrever, usar figuras ou pedir que o facilitador registre as palavras escolhidas.
- Em territórios com deslocamentos extensos, acrescentar ao mapa o tempo e as condições de acesso aos serviços.
- Se o grupo conhece poucas ofertas, trabalhar somente uma necessidade e reservar a verificação territorial para a equipe.
- Se houver continuidade, retomar o mapa em outro encontro com as informações efetivamente conferidas, sem exigir que alguém tenha acionado um apoio.
Avaliação
- Ao final, convidar cada participante a indicar uma possibilidade, uma dúvida ou uma lacuna; aceitar a opção de não responder.
- Comparar as perguntas de início e encerramento para observar se o grupo passou a distinguir apoio desejado de apoio presumido.
- Registrar o que precisa de devolutiva da equipe, sem transformar quantidade de cartões em medida de mudança na vida das famílias.
Registro da atividade
- Registrar tema, data, profissionais responsáveis, metodologia utilizada e adaptações realizadas no instrumento do serviço.
- Descrever as questões coletivas de forma sintética, com apoios verificados e lacunas que precisarão de consulta.
- Registrar demandas particulares no instrumento apropriado ao acompanhamento, com as informações necessárias e o cuidado adotado pelo serviço.
- Não fotografar o mapa nem divulgar falas ou nomes sem avaliar o uso e a autorização pertinente.
Cuidados
Referências
- Orientações Técnicas sobre o PAIF, volume 2 — MDS/SNAS, 2012
Seção 2.2, páginas impressas 23–36, especialmente 28–29 e 35–36.
Fonte oficial.
- Proposta pedagógica original do piloto PAIF
Mapa coletivo, perguntas, tempos e instrumentos de avaliação deste roteiro.
Proposta pedagógica original do piloto.